Republicanos

Rick Santorum

À segunda candidatura, a outrora estrela do Partido Republicano perdeu o fulgor e voltou a desistir. A ligação evangélica do rival Ted Cruz cativou o eleitorado religioso

Tal como já tinha feito em 2012, Rick Santorum candidatou-se à nomeação do Partido Republicano para as eleições presidenciais de 2016. Mas desta vez só aguentou até à primeira etapa, no Iowa, tendo sido eclipsado pela feroz concorrência de Ted Cruz, Donald Trump, Marco Rubio e, em suma, quase todos os outros candidatos: obteve 1% dos votos, superando apenas o resultado inexpressivo (12 votos) de Jim Gilmore. Após tamanha humilhação, a carreira política de Santorum parece estar num beco sem saída.

Longe vão os tempos em que o jovem republicano surpreendeu a cena política norte-americana ao ser eleito, em 1990, com 32 anos, para a Câmara dos Representantes, pelo 18º distrito congressional da Pensilvânia. Nessa disputa eleitoral, Santorum derrotou o experiente congressista Doug Walgren, do Partido Democrata, que tinha exercido sete mandatos consecutivos. Em Washington passou a integrar o chamado “gangue dos sete”, um grupo de jovens congressistas republicanos que lançou uma campanha agressiva contra a corrupção na Câmara dos Representantes, controlada na altura pelos democratas. Ganhou prestígio e protagonismo no Partido Republicano e quatro anos depois foi eleito para o Senado dos EUA, em representação da Pensilvânia. Uma ascensão meteórica.

Nasceu a 10 de Maio de 1958, em Winchester, Virgínia. O pai, Aldo, imigrante oriundo da Itália, é psicólogo. E a mãe, Kay, é enfermeira. Uma família católica que frequentava a igreja regularmente. Politicamente activo desde muito cedo, Rick Santorum formou-se em Ciência Política na Universidade Estatal da Pensilvânia, em 1990. No ano seguinte completou um MBA na Universidade de Pittsburgh. Ainda nos tempos do liceu trabalhara como voluntário na campanha do senador republicano John Heinz. Mais tarde foi assistente administrativo do senador republicano Doyle Corman, ao mesmo tempo que se formou em Direito, na Dickinson School of Law. Completou o curso em 1986 e praticou advocacia na firma Kirkpatrick & Lockhart, onde conheceu aquela que viria a ser a sua mulher, Karen Garver, com quem teve sete filhos.

Chegou ao Senado dos EUA com 36 anos. Era uma estrela em ascensão no Partido Republicano. Seis anos depois, Santorum foi reeleito e tornou-se presidente na Conferência Republicana do Senado. Político competente e carismático, destacou-se pelo estilo agressivo, sedento por confrontações com os adversários. E também pela dimensão religiosa. “Dou a cara por muitas questões que são importantes para as pessoas de fé”, afirmou nessa altura. E de facto bateu-se por causas como a proibição do aborto, da eutanásia e do ensino da teoria da evolução de Charles Darwin nas escolas, além da defesa da moralidade sexual e do casamento tradicional. Nessas batalhas políticas envolveu-se em sucessivas polémicas, com recorrentes declarações politicamente correctas ou mesmo homofóbicas.

Em 2006, porém, a carreira política de Santorum teve um primeiro retrocesso: falhou a reeleição para o Senado, por dois pontos percentuais. Retomou então a actividade como advogado e tornou-se comentador político na Fox News. Só voltou a surgir em cena em 2011, como candidato à nomeação do Partido Republicano para as eleições presidenciais de 2012. Dispunha de uma forte base de apoio com ligações ao Tea Party e ao eleitorado evangélico, apresentando propostas conservadoras ao nível social e fiscal. Um “conservador consistente”, como o próprio se descreveu. Obteve triunfos nas primárias de vários estados, mas acabou por desistir em Abril quando a desvantagem no número de delegados eleitos em relação a Mitt Romney parecia irrecuperável.

Dedicou-se a apoiar outros políticos conservadores nos anos seguintes e publicou um livro, intitulado “American Patriots: Answering the Call to Freedom”. Em 2015 decidiu voltar a tentar. “Enquanto a América de classe média está a esvaziar-se, não podemos assistir passivamente a esta situação em que os políticos do grande governo dificultam a vida aos nossos trabalhadores e depois atribuem-lhes a culpa por perderem os seus empregos para o exterior”, alertou, no discurso de lançamento da recandidatura à presidência dos EUA. “As famílias americanas não precisam de outro presidente agarrado ao grande governo e ao grande capital, e hoje é o dia em que vamos começar a dar luta!”

No entanto, a profusão de candidatos e a capacidade de Ted Cruz em penetrar no eleitorado evangélico ditaram o fracasso de Santorum que só conseguiu resistir até Fevereiro. Logo após a humilhação sofrida no primeiro “caucus” das eleições primárias, no Iowa, abandonou a corrida. E declarou o seu apoio a Marco Rubio (apesar de não conseguir nomear um único feito político do senador da Flórida).