Democratas

Martin O’Malley

O lema da sua campanha era “Aguentem-se firmemente!” . Mas, apesar das expectativas, não resistiu à primeira votação - e desistiu da candidatura.

Poucos se recordarão dele, mas as eleições primárias do Partido Democrata começaram por ser disputadas por três candidatos. Só se tornaram numa corrida a dois – entre Hillary Clinton e Bernie Sanders – logo após o primeiro “caucus” no Estado de Iowa. Com apenas 0,6% dos votos nesse escrutínio, o terceiro candidato, Martin O’Malley, anunciou de imediato a desistência. Contrariando, assim, o principal lema – “Aguentem-se firmemente!” – da sua campanha.

“Esta noite, tenho que vos dizer que vou suspender a candidatura presidencial. Mas não vou dar por terminado o combate. Vale a pena salvar o nosso país, vale a pena salvar o ‘sonho americano’ e vale a pena salvar o planeta. Portanto, ao caminharmos em frente, para a queda, vamos combinar entre nós que o amor, a generosidade, a compaixão e o compromisso desta campanha vão continuar a levar o nosso país em frente”, disse O’Malley no seu discurso final, visivelmente emocionado.

Apesar do resultado humilhante, Martin O’Malley é uma figura com prestígio no Partido Democrata. Governador do Estado de Maryland entre 2006 e 2015, presidente da Associação de Governadores Democratas entre 2011 e 2013, “mayor” (presidente de município) da cidade de Baltimore entre 1999 e 2007 (e vereador entre 1991 e 1999), faltou-lhe talvez a projecção nacional que se exige a um candidato às eleições presidenciais dos EUA.

Enquanto governador de Maryland, O’Malley destacou-se através de duas iniciativas legislativas marcadamente liberais: em 2011, permitiu que imigrantes ilegais, mediante certas condições, pudessem receber bolsas de estudo nas faculdades de Maryland; em 2012, legalizou o casamento homossexual. As duas leis foram referendadas em 2012 e aprovadas pela maioria dos eleitores. Depois de cessar as funções de governador em 2015, começou a dar aulas na Carey Business School da Johns Hopkins University, focado em matérias de governação, negócios e urbanismo. E em Maio do mesmo ano decidiu avançar para as eleições primárias do Partido Democrata.

Nasceu a 18 de Janeiro de 1963, em Washington D.C., filho de um antigo combatente da Força Aérea dos EUA na II Guerra Mundial (que testemunhou a erupção do “cogumelo nuclear” proveniente da deflagração de uma bomba atómica norte-americana sobre a cidade japonesa de Hiroshima) e da assessora da primeira mulher que foi eleita senadora nos EUA. No pós-guerra, o pai, de origem irlandesa, tornou-se advogado e depois adjunto do procurador do Distrito de Columbia. A mãe, de origens irlandesa, alemã, holandesa e escocesa, trabalha no Congresso dos EUA desde há 30 anos.

Martin Joseph O’Malley estudou em vários colégios e liceus católicos e formou-se em Direito na University of Maryland. Começou a envolver-se na actividade política em 1982, ainda nos tempos da faculdade, ao participar na campanha (fracassada) de Gary Hart como candidato à nomeação do Partido Democrata para as eleições presidenciais de 1984 (o nomeado viria a ser Walter Mondale, destroçado nas urnas pelo candidato republicano Ronald Reagan). Telefonou a pedir donativos, organizou voluntários e tocou guitarra e cantou durante as iniciativas de campanha, empenhando-se na causa de Hart.

Mas o passo decisivo, antes das eleições que ganhou em Baltimore, foi ter sido convidado pela congressista Barbara Mikulski (da qual a sua mãe é ainda hoje assessora) para assumir as funções de director de campanha estatal da sua candidatura ao Senado dos EUA, em 1986. Trabalhou depois no gabinete de Mikulski, até ser nomeado adjunto do procurador de Baltimore, onde permaneceu até 1990. Nesse ano candidatou-se ao Senado de Maryland mas perdeu por apenas 44 votos. Seguiram-se os referidos cargos ao nível municipal. Numa carreira política recheada de sucessos e alguns fracassos que poderá não ficar por aqui.