Republicanos

Jeb Bush

Depois de George H. e de George W. esta era a vez de Jeb, certo? Errado. O favorito à nomeação republicana não resistiu ao sucesso de Donald Trump e deixou cedo a corrida

As eleições presidenciais norte-americanas de 2016 pareciam destinadas a ser um confronto entre as famílias mais marcantes da política norte-americana nas últimas décadas: os Bush e os Clinton. No entanto, o furacão Donald Trump e uma campanha desastrosa – apesar de milionária – acabou por levar à desistência de Jeb Bush, a principal esperança de regresso à Casa Branca do clã que já gerou dois presidentes.

Nascido a 11 de Fevereiro de 1953 em Midland, Texas, Jeb Bush formou-se na Universidade do Texas em Estudos Latino-Americanos. Nos tempos do liceu, participou num programa de intercâmbio que o levou até ao México para ensinar a língua inglesa. Em 1973 casou-se com uma mexicana, Columba Garnica Gallo. Têm três filhos. Mais tarde mudaram-se para Miami, Flórida, onde Bush começou a trabalhar como corretor e investidor no mercado imobiliário. Participou, aliás, na fundação de uma empresa do ramo imobiliário, Codina Group, em 1980. Os negócios correram bem e Jeb Bush acumulou uma fortuna considerável.

Mais do que George W. Bush, era em Jeb Bush que o patriarca do clã George H. Bush depositava as maiores esperanças quanto a um eventual sucessor na cena política. Não por acaso, Jeb Bush assumiu a presidência da secção do Partido Republicano no condado de Miami-Dade. Iniciava assim uma carreira política paralela aos negócios que se tornou mais séria quando o então governador republicano da Flórida, Bob Martinez, o colocou na direcção do Departamento de Comércio do Estado. O pai, entretanto, tornou-se presidente dos EUA, em 1989, enquanto o irmão George W. Bush prosseguia um caminho errático, marcado pelo insucesso.

Em 1994, Jeb Bush candidatou-se ao cargo de governador da Flórida. Foi derrotado (por uma escassa margem) por um rival mais experiente, Lawton Chiles. Quatro anos mais tarde, voltou a tentar, dessa vez com sucesso. Moderou o seu posicionamento político e explorou territórios tradicionalmente afectos ao Partido Democrata, nomeadamente ao nível das políticas sociais, desde a educação nas escolas públicas até à reabilitação urbana, passando pelo financiamento do “Medicaid”, um sistema de cobertura médica com financiamento estatal. Enquanto governador, ao longo de oito anos, Jeb Bush reformulou o sistema de educação e implementou reduções substanciais dos impostos.

Foi George W. Bush, contudo, quem chegou à presidência dos EUA, em 2000, e não Jeb Bush, nas funções de governador da Flórida. Ironicamente, a eleição de George W. Bush só foi confirmada após uma controversa não recontagem dos votos na Flórida, onde se verificaram diversas irregularidades e a vantagem em relação ao candidato do Partido Democrata, Al Gore Jr., era mínima. Jeb Bush teve que enfrentar as suspeitas de que terá beneficiado o irmão. Sem consequências práticas.

Cessou as funções de governador em 2007, voltando a dedicar-se aos negócios. Passou a integrar os conselhos de administração de várias empresas, como a InnoVida e o malogrado gigante financeiro Lehman Brothers. Também fundou uma empresa de consultoria, a Jeb Bush & Associates. Especulava-se que pudesse candidatar-te a Senador dos EUA, mas isso acabou por não se confirmar. O legado presidencial do irmão talvez tenha contribuído para essa decisão.

Em 2015 voltou a focar-se na política, anunciando a candidatura à nomeação do Partido Republicano para as eleições presidenciais de 2016. No discurso de lançamento da campanha, no Miami Dade College, Jeb Bush afirmou que pretendia “fazer com que Washington, a estática capital desta dinâmica nação, deixe de causar problemas. Eu sei que conseguiremos corrigir isso, porque eu já o fiz anteriormente.” No entanto, nunca conseguiu estabelecer grande empatia com o eleitorado. Houve mesmo uma ocasião em que, durante um discurso, teve de pedir aos apoiantes para baterem palmas “por favor”.

Não chegou sequer à Convenção Nacional do Partido Republicano. Desistiu em Fevereiro de 2016, logo após o resultado desastroso nas primárias da Carolina do Sul.