Democratas

Hillary Clinton

Sobreviveu ao escândalo de adultério do marido Bill Clinton, à derrota em 2008 contra Barack Obama, à tragédia de Benghazi e – por enquanto – à controvérsia da utilização do “e-mail” pessoal. Hillary Clinton está de volta

Gustavo Sampaio

Primeira-dama, senadora, secretária de Estado e… a primeira mulher presidente dos Estados Unidos da América (EUA)? Hillary Clinton terá de começar por vencer as eleições primárias do Partido Democrata, à segunda tentativa, depois de derrotada por Barack Obama em 2008, quando também era apontada como favorita. Aos 67 anos tenta novamente libertar-se da sombra do marido, o ex-presidente Bill Clinton, com o objectivo de voltar à Casa Branca. Agora para ocupar a presidência.

Hillary Diane Rodham nasceu no dia 26 de Outubro de 1947, em Chicago, Illinois, no seio de uma família conservadora. Foi uma excelente aluna no liceu e politicamente activa desde muito jovem. Frequentou o Wellesley College no Massachusetts, onde se especializou em Ciência Política e liderou um grupo de jovens republicanos. Chegou a participar na campanha eleitoral do candidato presidencial Barry Goldwater, em 1964, do Partido Republicano.

Mais tarde, já enquanto estudante de Direito na Universidade de Yale, passou a apoiar o Partido Democrata. É desse período que data a sua actividade em defesa dos direitos das mulheres e em organizações de protecção de crianças vítimas de abusos, a par da participação em várias campanhas eleitorais de candidatos do Partido Democrata, nomeadamente Walter Mondale. E foi em Yale que conheceu Bill Clinton, colega de curso e seu futuro marido.

Quando Bill Clinton se tornou governador do Arkansas, em 1978, Hillary Clinton manteve-se politicamente activa. E quando o marido se candidatou à presidência dos EUA, em 1992, chegou a dizer que estava a oferecer aos eleitores dois presidentes “pelo preço de um”, referindo-se ao perfil interventivo que a mulher viria a confirmar no papel de primeira-dama.

Foi nessas funções que Hillary continuou a pugnar pelos direitos das mulheres e por um plano de cobertura de saúde universal nos EUA. No segundo caso fracassou. O projecto nem sequer chegou a ser debatido no Congresso. Seria o presidente Obama, mais tarde, a concretizar essa reforma – com Hillary no cargo de secretária de Estado.

Mas o grande desafio desses anos na Casa Branca foi mesmo o escândalo de infidelidade de Bill Clinton, envolvendo a estagiária Monica Lewinski. Hillary manteve-se então ao lado do marido e chegou a dizer que se tratava de uma “vasta conspiração da direita” contra o presidente democrata. No entanto, admitiria mais tarde que se sentiu profundamente magoada com a infidelidade.

No ano de 2000, quando a presidência de Bill Clinton se aproximava do fim, Hillary Clinton concorreu ao cargo de senadora do Estado de Nova Iorque e venceu. Iniciava assim o caminho de emancipação política, não escondendo a ambição de mais altos voos no futuro.

Enquanto senadora posicionou-se ao centro (moderado) do Partido Democrata. Votou a favor da guerra do Iraque em 2003 mas distanciou-se da forma como o conflito foi conduzido pela Administração de George W. Bush e chegou a defender a retirada das tropas norte-americanas do terreno. Garantiu facilmente a reeleição como senadora em 2006 e dois anos depois lançou-se na corrida das eleições primárias. Partiu como favorita, mas acabou por ser derrotada por Barack Obama – que a chamou para Secretária de Estado, tentando sarar as feridas no Partido Democrata. No cargo Hillary teve que gerir situações complicadas, como a resposta dos EUA às “Primaveras Árabes” ou a intervenção militar na Líbia em 2011.

O ataque à embaixada norte-americana em Benghazi, na Líbia, a 11 de Setembro de 2012, seria o momento mais problemático para Hillary Clinton. O embaixador Christopher Stevens e três outros funcionários norte-americanos foram mortos e o Departamento de Estado foi duramente criticado devido a “sistemáticas falhas e deficiências de liderança e gestão”, de acordo com o relatório independente sobre a tragédia de Benghazi.

Além de Benghazi, outra mancha no currículo de Hillary Clinton enquanto secretária de Estado consiste na revelação de que terá utilizado o “e-mail” pessoal para tratar de assuntos oficias, incluindo potencial informação sensível. Já em campanha para as eleições primárias do Partido Democrata, Clinton teve que se justificar sucessivamente e entregar mais de 30 mil mensagens da sua conta pessoal ao Departamento de Estado, para integrarem os registos federais.

Eleições primárias em que é mais uma vez a favorita à vitória (e seria a primeira mulher a vencer as eleições primárias de um dos dois maiores partidos dos EUA). À segunda tentativa será de vez? A predominância do apoio a Hillary Clinton entre os superdelegados poderá ser decisiva.