Republicanos

John Kasich

É o político mais experiente entre os candidatos à nomeação do Partido Republicano para as eleições presidenciais de 2016. Mas isso não lhe garante favoritismo (nem bons resultados). John Kasich é governador do Estado do Ohio desde 2010, depois de passar 18 anos na Câmara dos Representantes dos EUA e outros três anos, ainda muito jovem, no Senado Estatal de Ohio. Já se tinha candidatado à Presidência dos EUA em 2000 – mas desistiu antes das eleições primárias do Partido Republicano, devido à falta de apoios (o nomeado acabou por ser George W. Bush).

Desta vez Kasich não desistiu e, apesar de ser o candidato pior posicionado entre os três que permanecem na corrida (continua a ter menos delegados eleitos do que o desistente Marco Rubio), parece estar determinado a chegar “vivo” à convenção republicana de Julho. Para isso conta com alguns apoios de peso no Partido Republicano, com destaque para Arnold Schwarzenegger (actor e ex-governador da Califórnia).

O currículo político de Kasich tem sido o seu maior trunfo eleitoral. Enquanto representante do 12º distrito congressional de Ohio na Câmara dos Representantes, Kasich focou-se num objectivo prioritário: equilibrar o orçamento federal, uma aspiração tradicional dos republicanos. Propôs sucessivos cortes na despesa e tornou-se um dos mais destacados congressistas a bater-se por essa causa. Tanto que em 1994 foi encarregue da gestão das matérias orçamentais.

Mais tarde, Kasich tornou-se presidente da Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes e participou activamente nas negociações com a Administração de Bill Clinton, em 1997, que resultaram num acordo histórico: pela primeira vez desde a década de 1960, os EUA registaram um superávite no orçamento federal, ao mesmo tempo que abateram a dívida acumulada. Terá sido o maior feito político do congressista Kasich.

No cargo de governador do Ohio conseguiu reduzir o défice em oito mil milhões de dólares ao mesmo tempo que baixou impostos. Contudo, o último orçamento de Kasich como governador, referente a 2015, aumentou a despesa em 40%, pelo que o seu legado não é consensual. Esse aumento está alinhado com outras inversões políticas de Kasich, num sentido de aproximação ao centro político, onde os posicionamentos republicanos e democratas são mais indistintos.

Por exemplo, Kasich ajudou a implementar o “Obamacare” (programa nacional de cobertura médica lançado pela Administração de Barack Obama) no Estado de Ohio, através da expansão (recorrendo a financiamento federal) de um sistema de assistência médica aos pobres – o “Medicaid” – que já estava em funcionamento. Tratou-se de uma iniciativa dispendiosa que contou com a oposição de destacados políticos republicanos. Mas Kasich não só resistiu como conseguiu expandir outros programas sociais. Para defender as virtudes do “Obamacare” chegou a fazer referência à fé religiosa: “Tenho que oferecer bíblias para vos relembrar que devem preocupar-se com os pobres?”, questionou.

John Richard Kasich nasceu em McKees Rocks, Pensilvânia, em 1952. Filho de pai checo e mãe croata, ambos imigrantes, que morreram num acidente de viação provocado por um condutor alcoolizado. Depois disso, Kasich, que tinha sido educado como católico, acabou por se tornar anglicano. Mais tarde formou-se na Ohio State University e casou-se duas vezes, a última das quais com Karen Waldbillig. Têm dois filhos.

Envolveu-se na actividade política desde muito jovem e, enquanto estudante universitário, chegou a reunir-se pessoalmente com o presidente Richard Nixon, em 1970, depois de lhe ter enviado uma carta a elogiar as suas políticas e pedindo para se encontrar com ele. Depois de se formar em Ciência Política, colaborou com vários republicanos. Aos 27 anos concorreu ao Senado Estadual do Ohio e conseguiu ser eleito. Esteve três anos no cargo. Depois concorreu a um lugar na Câmara dos Representantes, novamente com sucesso. Ficou em Washington durante 18 anos (1983-2001).

Quando saiu da Câmara dos Representantes foi trabalhar para o banco de investimento Lehman Brothers, até à declaração de falência em 2008, no epicentro da crise do “subprime”. Como não se envolveu nessa área do negócio (hipotecas do mercado imobiliário) acabou por retomar a carreira política. Em 2010, com o apoio do Tea Party, foi eleito governador do Estado de Ohio. E no dia 21 de Julho de 2015 anunciou que se candidatava à Presidência dos EUA. “Não caí aqui de pára-quedas”, ressalvou Kasich. “Fui um senador estatal, servi nove mandatos no Congresso, fui eleito governador e venci em 86 dos 88 condados.”

Este último detalhe poderá representar a sua mais-valia política: o prestígio que tem no Ohio. Até porque nenhum republicano conquistou até hoje a Presidência sem ganhar no Ohio. A diversidade política, cultural e demográfica do Ohio tem sido disputada pelos dois partidos, mas a vitória tem escapado aos republicanos nos últimos dois ciclos políticos. Aliás, o Partido Republicano agendou a sua Convenção Nacional para a cidade de Cleveland, no próximo Verão, mês de Julho, sinalizando a importância do Ohio na eleição geral.

Não por acaso, Kasich venceu as eleições primárias do Ohio, a 15 de Março, com 46,8% dos votos. Seguiram-se Donald Trump com 35,6%, Ted Cruz com 13,1% e Marco Rubio com 2,9%. Kasich, o governador local, arrecadou a totalidade dos 66 delegados em disputa. E assim se manteve vivo na corrida à nomeação do Partido Republicano. Ele que se auto-descreve como um “conservador compassivo”, na senda de George W. Bush.