Republicanos

Marco Rubio

Já foi o menino bonito do Partido Republicano. Mas desistiu da corrida após a derrota na Flórida - e perdeu a esperança de ser considerado uma hipótese para a vice-presidência

Passou ao lado de uma promissora carreira desportiva, como jogador de futebol americano, para se dedicar à política. Em vez de marcar “touchdowns”, Marco Rubio obteve sucessivas vitórias em eleições para cargos ao nível municipal (West Miami City Commission, 1998), estadual (Câmara dos Representantes da Flórida, 2000) e federal (Senado dos EUA, 2009). Jovem estrela em ascensão no Partido Republicano, candidatou-se à nomeação para as eleições presidenciais. Mas abandonou a corrida depois de ser derrotado por Donald Trump no próprio Estado natal, a Flórida – e perdeu a esperança de ser sequer convidado para candidato a vice-presidente.

Nascido em Miami, Flórida, em 1971, Marco Rubio é filho de imigrantes cubanos, um de quatro irmãos. Durante o liceu destacou-se a jogar futebol americano e recebeu uma bolsa de estudo associada à prática desportiva. No entanto, Rubio acabou por desistir desse caminho. Formou-se em Direito na Universidade de Miami e concentrou-se na política, uma aspiração antiga, com raízes familiares: “Interessei-me por assuntos políticos e históricos através do meu tio, que nos lia jornais e livros em voz alta”, contou Rubio. Manteve ainda assim a paixão pelo futebol americano e casou-se com uma antiga “cheerleader” da sua equipa favorita, os Miami Dolphins. Têm quatro filhos. Na campanha, não deixou de explorar essa ligação ao desporto.

Em 1998 foi eleito pela primeira vez para a West Miami City Commission. Não tardou muito a ascender do patamar municipal ao estadual, conquistando, em 2000, um assento na Câmara dos Representantes da Flórida, onde serviu durante oito anos. Ganhou prestígio e capital político, tornando-se líder da maioria republicana em 2003 e “speaker” (porta-voz e presidente) em 2006. Nessas funções lançou uma ambiciosa campanha para melhorar e reformar o governo estadual.

Mais surpreendente foi a passagem para o Senado dos EUA, em 2010. Partiu como o candidato menos favorito e derrotou o ex-governador da Florida, o republicano Charlie Crist, e também o opositor democrata, Kendrick Meek. A vitória deveu-se em parte ao apoio que recebeu do movimento “Tea Party” e a veemência dos seus discursos na campanha eleitoral: “Estou nesta corrida para ganhar. Muitas das coisas que tornam a América única são ameaçadas por políticos em Washington. Vamos tomar decisões irreversíveis nos próximos quatro a seis anos. Quero fazer parte dessa correcção do percurso”, afirmou na altura.

No Senado, em representação da Flórida, Rubio integra várias comissões importantes, nomeadamente a de Comércio, Ciência e Transportes e a das Relações Externas. Nesta última tem sido um apoiante assumido de um fortalecimento da defesa nacional, alinhado com os “falcões” republicanos. Mas Rubio destacou-se sobretudo pela sua oposição ao “Obamacare” (o programa nacional de cobertura médica lançado pela Administração de Barack Obama) e ao aumento dos limites de endividamento. No entanto, há uma matéria em que Rubio se afasta das bases do Partido Republicano: a imigração. O cubano-americano defende políticas menos restritivas do que a generalidade dos republicanos e isso gera anticorpos no interior do partido.

Em Abril de 2015, quando anunciou a sua candidatura às eleições primárias do Partido Republicano, em Miami, Rubio explicou por que razão ambicionava alcançar a Casa Branca: “Chegámos agora a um momento, não apenas na minha carreira, mas na História do nosso país, em que acredito que necessitamos de um novo e vibrante Partido Republicano, que compreenda o futuro e tenha uma agenda para esse futuro. E eu sinto-me especialmente qualificado para conseguir isso.” Durante a campanha eleitoral, chegou a ser considerado a principal esperança do “establishment” do Partido Republicano para derrotar Donald Trump. Contudo, a humilhante derrota na Flórida natal deitou tudo a perder.