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Donald Trump

Racista, xenófobo, misógino, louco ou desbocado. Já lhe chamaram de tudo mas o facto é que Donald Trump continua a liderar as eleições primárias do Partido Republicano que vão escolher o candidato oficial às presidenciais de 2016. Aliás, tornou-se o principal favorito à vitória. Alguém que pode dizer tudo aquilo que quiser sem ser castigado pelos eleitores. Para Trump, toda a publicidade parece ser boa publicidade.

Por exemplo, no discurso em que anunciou a candidatura à Casa Branca, no dia 16 de Junho de 2015, Trump acusou os emigrantes mexicanos de estarem a “levar drogas” para os EUA e de serem “criminosos” e “violadores”. Mais tarde apresentou – e repetiu vezes sem conta – a sua solução para conter as vagas de emigrantes: “Vou construir um grande muro! E ninguém é melhor do que eu a construir muros, acreditem! Vou construir um grande, grande muro na fronteira do Sul e vou obrigar o México a pagar essa obra. Escrevam o que vos digo.”

Outra fonte de controvérsia é a conta de Trump na rede social Twitter – que tem 7.4 milhões de seguidores – onde costuma publicar mensagens como a seguinte: “Se Hillary Clinton não consegue satisfazer o marido, o que a faz pensar que pode satisfazer a América?”

Ao que acrescem as sucessivas contradições. O bilionário nova-iorquino não concorda com a legalização do casamento homossexual, utilizando o argumento de que sempre defendeu o “casamento tradicional”. No entanto, Jake Tapper, jornalista da CNN, questionou-o numa entrevista sobre o que há de “tradicional” no facto de o próprio Trump já se ter casado por três vezes. “Essa é uma boa pergunta”, respondeu Trump, admitindo a contradição.

Nascido em 1946, no bairro de Queens, Nova Iorque, Donald Trump é o quarto filho de um magnata do sector imobiliário, Fred Trump. Aos 13 anos, devido ao mau comportamento na escola, o pai enviou-o para uma academia militar. Mais tarde frequentou a Wharton School na Universidade da Pensilvânia e tornou-se o favorito para suceder ao pai na gestão da empresa, depois de o seu irmão mais velho ter decidido lançar-se numa carreira de piloto de aviação. Esse irmão, aliás, viria a morrer aos 43 anos de idade, devido a problemas de alcoolismo. Um incidente que Donald Trump diz tê-lo levado a evitar o álcool e os cigarros.

Terminados os estudos em Economia, ao nível de bacharelato, Donald Trump entrou no negócio do imobiliário com um empréstimo de um milhão de dólares do pai. Só depois é que foi para a empresa da família, ajudando a gerir a extensa carteira de projectos residenciais em bairros nova-iorquinos. Quando acabou por assumir o controlo da empresa, em 1971, rebaptizou-a logo como “The Trump Organization”.

O pai, Fred Trump, morreu em 1999. “O meu pai era a minha inspiração”, revelou Donald, nessa altura. Ele que já tinha transformado o negócio da família, passando das unidades residenciais em Brooklyn e Queens para projectos reluzentes em Manhattan, nomeadamente a sua mais famosa propriedade: a “Trump Tower”, na Quinta Avenida, com 68 andares.

Por outro lado, Trump também desenvolveu hotéis e casinos, uma ramificação do negócio que gerou quatro pedidos de falência ao longo dos anos. E criou um império no negócio do entretenimento, desde os concursos de beleza “Miss Universe” e “Miss USA” até ao reality show da NBC “O Aprendiz”, no qual os concorrentes disputavam uma oportunidade trabalho de gestão na empresa de Trump. Ele próprio foi o anfitrião do programa durante 14 temporadas e criou uma imagem de marca, popular e icónica, com a frase com que rejeitava os demais candidatos: “Está despedido!”

Escreveu vários livros sobre como enriqueceu ou sobre como o leitor também poderá enriquecer. Casou três vezes e tem cinco filhos. O primeiro casamento, nos anos 80, com Ivana Zelnickova, uma atleta e modelo de nacionalidade checa, terminou com uma grande polémica nas páginas dos jornais, por entre acusações mútuas.

A política é um interesse antigo. Já em 1987 tinha manifestado a intenção de se candidatar à presidência e em 2000 chegou mesmo a entrar na corrida, enquanto candidato à nomeação pelo Partido Reformista dos EUA, fundado pelo independente Ross Perot. Mas perdeu.

Noutra vertente, Trump tem apoiado, ao longo dos anos, candidatos a senadores, governadores e presidentes. Terá apoiado um total de 96 candidatos nos últimos 25 anos, apenas metade dos quais eram republicanos, segundo um relatório independente sobre financiamento político. Entre esses candidatos apoiados está a própria Hillary Clinton.

Trump chegou a admitir que poderia avançar como independente, caso não assegurasse a nomeação do Partido Republicano. Daí os anticorpos que gera no interior do seu partido e das elites que tentam evitar a sua vitória nas eleições primárias. “Nós precisamos de alguém que vai pegar literalmente neste país e torná-lo grande outra vez. Nós conseguimos fazer isso”, afirmou Trump, no discurso em que anunciou a sua candidatura, em Junho de 2015. Nessa altura poucos imaginavam que conseguisse chegar onde já chegou.