Nuno Garoupa

Professor universitário

Professor Catedrático de Direito na Universidade do Texas A&M e Investigador da Católica Global Law School, a sua área de investigação é Direito e Economia e Direito Comparado. Fez o doutoramento em Economia na Universidade de York.

Os Problemas de Trump e Hillary

Julho é o mês das convenções: 18 a 21 de Julho será a convenção dos Republicanos no Ohio (um estado que pode decidir as presidenciais) e 25 a 28 Julho será a convenção dos Democratas na Pensilvânia (precisamente outro estado relevante nas eleições de novembro). Aguardam-se as vice-presidências (baralham-se vários nomes ainda) pois as outras contas estão feitas. No campo republicano, Trump tem um número estimado de 1537 delegados e nenhum opositor (há outros 900 delegados por ver como votam). No campo democrata, Clinton tem um número estimado de 2746 delegados enquanto Sanders ficou por 1875 e 145 estão por alocar.

Acabadas as convenções, começa a corrida até ao dia 8 de Novembro. As sondagens indicam algumas coisas interessantes. Hillary está nos 42-46% enquanto Trump anda pelos 37-40%. Mas temos que lembrar que nos Estados Unidos as eleições se decidem num punhado de estados que são estratégicos para a contabilidade no colégio eleitoral. Por exemplo, Hillary Clinton ganhará na Califórnia ou em Nova Iorque enquanto Trump terá os delegados do Texas ou dos estados conservadores do Sul. As incógnitas são as habituais: Hillary está ligeiramente à frente na Flórida, Iowa, Oregon ou Virginia enquanto Trump parece capturar Geórgia, Indiana e Utah. Mas as sondagens não clarificam o que pode acontecer no Ohio, Pensilvânia ou Carolina do Norte.

Objetivamente, neste momento, Clinton tem vantagem nas sondagens enquanto “the” Donald está a uma distância que permite por agora dizer que está tudo em aberto. Para além dos debates no final de Setembro, levantam-se questões importantes a ambos os lados. Para Trump, há que manter a percepção de crescimento eleitoral de que tem beneficiado nos últimos meses, convencer o eleitorado moderado sem perder a mobilização de quem votou nele nas primárias, colmatar as falhas do aparelho republicano, encontrar apoios entre os conservadores mais tradicionais como Paul Ryan ou os antigos presidentes Bush pai e filho (que para já negaram esse apoio). Para Clinton, o grande desafio é manter a liderança sem desmobilizar, conseguir persuadir o eleitorado de Sanders a votar nela, arrumar os problemas com a justiça, evitar novos escândalos e assustar o centro moderado diabolizando o adversário.

Tanto Trump como Hillary estão muito dependentes de acontecimentos exógenos à sua campanha. Eventos domésticos e internacionais. Terrorismo e imigração favorecem Trump, bom desempenho económico favorece Clinton. Mas ambos também dependem da justiça. Se Clinton for constituída arguida no escândalo dos emails do State Department, a situação ficará complicada para o lado democrata. Se Trump enfrentar mais acusações de fraude e outros “pequenos” deslizes empresariais as coisas aquecem para o lado de Trump. Inevitavelmente prevê-se uma campanha agressiva, suja e mesmo violenta. Certamente não vai ser um espetáculo bonito.

E Obama? Quebrando uma longa tradição de apagamento voluntário do presidente em funções na campanha eleitoral do seu partido, Obama mexeu-se estas últimas semanas. Assumindo claramente um papel de combate contra Trump, Obama tem-se multiplicado em intervenções muito acutilantes e expressivas. Ainda é cedo para analisar o seu efeito eleitoral. Contudo parece uma estratégia imprudente porque Obama ofusca Clinton confirmando que esta é uma candidata com grandes fragilidades. E são estas fragilidades que Trump explora com uma retórica muito eficaz. E sendo previsível uma campanha suja e violenta, a participação de Obama inevitavelmente vai contaminar os últimos meses da sua presidência. Um grande risco que pode não ter a compensação eleitoral esperada.