Máquina do Tempo

Os Presidentes: #21 Chester Arthur
5/10/1829 – 18/11/1886

Ao fim de seis meses como vice-Presidente, a morte de Garfield tornou-o chefe de Estado. Fez reformas surpreendentes para alguém tão conotado com o sistema e com a máquina partidária republicana

 

PRESIDENTE ENTRE 20 DE SETEMBRO DE 1881 E 4 DE MARÇO DE 1885

 

7 FACTOS ESSENCIAIS

Chester Alan Arthur nasceu e cresceu no Vermont, filho de pais educados (professores com aspirações, conhecimentos de leis e, no caso do pai, uma função religiosa) e foi encaminhado para exercer advocacia. Foi admitido na Ordem com 25 anos.

Estabelecido em Nova Iorque, tornou o seu nome conhecido como abolicionista. Durante a guerra desempenhou funções administrativas na milícia, ao mesmo tempo que subia nas fileiras do Partido Republicano, inicialmente como assessor do poderoso senador Roscoe Conkling. Quando o Presidente Ulysses Grant o nomeou, em 1871, Colector do Porto de Nova Iorque, abriu-lhe o caminho para se tornar uma figura influente no partido.

Tornou-se tão conotado com o sistema de favores e influências que em 1878 foi virtualmente despedido pelo Presidente Hayes, no âmbito de um programa para eliminar a política de favores que grassava na cidade.

Dois anos depois, na convenção republicana, era representante de uma facção do Partido Republicano (os stalwarts) que apostava no regresso de Grant para um terceiro mandato presidencial. O seu maior adversário era James Garfield, um defensor da candidatura de James Blaine. Um impasse acabou com a nomeação de Garfield para candidato presidencial, com Arthur como nº 2. Foi uma dupla surpresa.

Ao fim de seis meses viu-se na Presidência, quando Garfield morreu na sequência de uma tentativa de assassinato. Tinha outra surpresa reservada: ele, um homem do sistema, tornou-se um impulsionador de reformas. Seguindo em boa parte a agenda de Garfield, conseguiu fazer aprovar e tornar lei, em 1883, uma reforma completa da função pública, a Acta Pendleton.

Com problemas de saúde, retirou-se no fim do seu mandato e até os mais críticos elogiaram as suas realizações reformistas. Assim como recusou uma recandidatura, também não quis concorrer a um lugar no Senado. Voltou à advocacia.

No dia 16 de Novembro de 1886, muito doente, deu ordem para que fossem queimados quase todos os seus documentos, tanto oficiais como pessoais. No dia seguinte de manhã sofreu uma hemorragia cerebral e não voltou a recuperar a consciência até morrer, 24 horas depois.

 

7 CONHECIMENTOS INÚTEIS

O seu nome foi escolhido pelos pais em homenagem ao médico que o deu à luz: Chester Abell. O nome do meio, Alan, era o do avô paterno.

Os adversários espalharam que ele tinha nascido e vivido até tarde na Irlanda (ou no Canadá, conforme as versões), e que portanto não era elegível para um cargo político nos Estados Unidos. Teve de provar que nascera no Vermont.

Num dos seus primeiros casos como advogado, representou uma mulher negra, Lizzie Jennings, que em 1854 foi obrigada a sair de um transporte por causa da cor da pele. Não só ganhou uma indemnização como viu a transportadora nova-iorquina anunciar que acabava com a política de segregação racial.

Foi muito mais do que um mero embaraço político o facto de o homem que alvejou o Presidente Garfield ter afirmado que pertencia à facção stalwart, dos republicanos, que era a de Arthur. Na verdade, gritou mesmo, depois de disparar: “Arthur é Presidente!”

Até ser eleito vice-Presidente, Chester Arthur nunca tinha sido eleito para absolutamente nada, apenas nomeado. Por outro lado, durante o tempo em que foi Presidente não nomeou um vice-Presidente.

Era conhecido o seu hábito de trabalhar todos os dias até às 2 horas da madrugada. Também era muito falado o seu gosto obsessivo por calças: teria mais de 80 pares e os adversários ridicularizavam-no chamando-lhe “o Arthurzinho elegante”. Foi o primeiro inquilino da Casa Branca a ter um mordomo.

A mulher, Ellen, morreu antes de ele chegar à Casa Branca. Todos os dias Chester colocava uma rosa junto de um retrato dela.