Máquina do Tempo

Os Presidentes: #23 Benjamin Harrison
20/8/1833 – 13/3/1901

O neto do nono Presidente dos Estados Unidos, William Harrison, ocupa, na opinião dos historiadores, um lugar modesto na história do País, uma espécie de interregno entre os mandatos de Cleveland

PRESIDENTE ENTRE 4 DE MARÇO DE 1889 E 4 DE MARÇO DE 1893

 

7 FACTOS ESSENCIAIS

A linhagem é ilustre: bisneto de Benjamin Harrison V, signatário da Declaração de Independência, neto de William Harrison, Presidente (breve, morreu 23 dias depois de tomar posse) em 1841. Mas a família não vivia de forma abastada: nasceu no Ohio e foi o segundo de oito filhos de John e Elizabeth, que fizeram um esforço económico para o levarem à universidade.

Já casado com Caroline Scott (em 1853), acabou o curso de Direito e abriu um escritório com um sócio, antes de se alistar no exército em plena guerra civil, ao mesmo tempo que dava os primeiros passos na política no Estado de Indiana. Chegou a candidatar-se a governador – por três vezes, e três vezes perdeu.

Finalmente chegou ao Senado, onde ficou entre 1881 e 1887, construindo uma reputação que, após muitas peripécias e desistências de adversários, havia de lhe valer (ao fim de oito votações) a nomeação como candidato presidencial republicano. À partida, derrotar o Presidente Cleveland, que procurava a reeleição, era impossível. Mas a surpresa aconteceu e ele acabou eleito, ainda que com menos votos eleitorais do que o adversário.

Para formar o seu gabinete resistiu a todas as pressões do Partido Republicano – e passou os primeiros meses nesta tarefa. Depois produziu legislação económica sem precedentes, com destaque para impostos que protegiam o comércio americano.

Ao mesmo tempo, Harrison permitiu que as despesas federais disparassem, superando pela primeira vez os mil milhões de dólares. E esta imagem de despesismo descontrolado terá contribuído de forma importante para a sua derrota frente a Grover Cleveland quando tentou a reeleição em 1892. O duelo nas urnas foi uma repetição do que acontecera quatro anos antes.

A campanha eleitoral ficou acima de tudo marcada por uma tragédia pessoal: a sua mulher, Caroline, doente com tuberculose, acabou por morrer duas semanas antes do voto nacional. Na prática, Harrison deixou de fazer campanha e foi batido por uma margem sem precedentes nas duas décadas anteriores.

Fora da Casa Branca, Harrison andou pelo país em conferências e palestras, e a dar aulas, voltando a casar (ele tinha 62 anos e a mulher, Mary, 37) em 1896. Cinco anos depois, uma gripe que degenerou em pneumonia matou-o. As duas mulheres, Caroline e Mary, estão sepultadas ao seu lado em Indianapolis.

 

7 CONHECIMENTOS INÚTEIS

Foi o quarto – e último – Presidente a usar barba completa. Era um homem pesado e baixo, aliás o segundo Presidente mais baixo na história dos EUA, depois de Madison.

Na sua tomada de posse chovia torrencialmente e foi o Presidente-cessante, Grover Cleveland, que segurou um chapéu de chuva sobre a sua cabeça enquanto ele lia o juramento, numa cerimónia pontuada pela actuação da Banda da Armada dirigida por John Philip Sousa.

Harrison foi o primeiro Presidente a usar electricidade na Casa Branca, instalada pela companhia de Thomas Edison. Mas tanto ele como a mulher tinham medo de ser electrocutados (aparentemente ele terá apanhado um choque) e não tocavam nos interruptores.

Os seus dotes de orador eram reconhecidos e elogiados: conta-se que uma vez, durante um mês, proferiu 140 discursos completamente diferentes.

Foi o primeiro Presidente dos Estados Unidos a ter a voz preservada para a posteridade: em 1889, uma alocução sua com 36 segundos foi gravada num cilindro de cera.

O corpo do pai de Harrison foi roubado por profanadores de túmulos e vendido a uma escola médica – um facto relativamente comum no século XIX.

Como Presidente, nomeou um antigo escravo, Frederick Douglass, como enviado ao Haiti.