Máquina do Tempo

As Primeiras Damas #23 Caroline Scott Harrison
1/10/1832 – 25/10/1892

A doença impediu-a de ter uma vida plena, mas inaugurou uma tradição que se mantém até aos dias de hoje: a da árvore de Natal na Casa Branca. Além disso, eliminou da mansão as pragas de insectos e roedores

Caroline, a segunda filha do ministro da Igreja Presbiteriana John Whiterspoon Scott e da mulher, Mary, cresceu com mais duas irmãs e dois irmãos. Com uma família numerosa e escassos rendimentos, não havia fartura mas o pai arranjou meios para que todos recebessem educação. Ele ensinava Matemática e Ciências na Universidade Miami, em Oxford, no Ohio, mas viu-se despedido em 1845, ao fim de mais de 20 anos de serviço, na sequência de uma disputa com o reitor por causa da questão dos escravos.

Por causa disso a família mudou para perto de Cincinatti, onde ele encontrara trabalho no Farmer’s College – e foi aí que Caroline conheceria o futuro Presidente Benjamin Harrison, então aluno do pai.

Quando a família Scott regressou a Oxford, ao fim de quatro anos, Harrison também voltou – e pediu Caroline em casamento. Casaram em 1853, depois de ela ter concluído um curso de música, mas ele ainda estudava Direito. Houve momentos no início do casamento em que Harrison vivia em casa dos pais e Caroline também.

Foi mesmo em casa dos pais que teve, em 1854, o primeiro filho, Russell. Mary nasceria em 1858. Durante anos foi a mulher discreta de um político em ascensão. Quando ele conquistou a Casa Branca, em 1888, levou para a mansão a mulher, a filha e os dois netos, o pai e outros familiares mais afastados.

Caroline tentou renovar o complexo, mas o Congresso não lhe concedeu o dinheiro suficiente para obras extensas. Ainda assim fez muitos melhoramentos – e o menor deles não terá sido eliminar os roedores e insectos que infestavam desde há décadas a residência presidencial.

Foi também Caroline que inaugurou a tradição de erguer uma árvore de Natal na Casa Branca, em 1889, e de certo modo transformou a orquídea na flor oficial das recepções. Em 1891 foi-lhe diagnosticada tuberculose e no Verão seguinte viajou para as montanhas Adirondack à procura de melhores ares. Mas a doença progrediu a matou-a em Outubro desse ano. No último ano de mandato de Harrison foi a filha Mary a fazer as vezes de Primeira Dama.

O ex-Presidente voltaria a casar, em 1896, com a sobrinha e ex-secretária da falecida mulher, Mary Scott Dimmick, também viúva (o marido morreu ao fim de menos de três meses de casamento) . Nascida em 30 de Abril de 1858, era 25 anos mais nova do que ele (ela tinha 37 anos e ele 62).

O filho e a filha de Harrison ficaram revoltados com o romance e não compareceram no casamento. O casal teve uma filha, Elizabeth, nascida em 1897. Bejamin Harrison morreria em 1901 e a mulher sobreviveu-lhe quase 50 anos: morreu, de complicações relacionadas com asma, em Nova Iorque, em 1948.