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“Eu nunca vou desistir da corrida,” promete o acossado Donald Trump
A revelação do polémico vídeo de 2005 com comentários lascivos e machistas de Trump agitou o Partido Republicano, na véspera de novo debate
É uma espécie de “sex tape” (vídeo de sexo) falada, repleta de expressões machistas e indícios de adultério, cuja gravidade está a ser ampliada pelo simples facto de Donald Trump ser o candidato presidencial do Partido Republicano em 2016 – ora, quando a conversa privada que manteve com Billy Bush foi gravada, em 2005, Trump era apenas um empresário do ramo imobiliário e uma celebridade do mundo do espectáculo e da televisão. A partir do momento em que foi divulgada pelo jornal The Washington Post, na sexta-feira, dia 7 de Outubro, sucederam-se as declarações de proeminentes militantes republicanos a anunciarem a retirada do apoio à candidatura de Trump.
Desde logo John McCain, o actual senador do Arizona (e candidato presidencial do Partido Republicano em 2008). “Eu pensei que era importante respeitar o facto de Donald Trump ter ganho a maioria dos delegados, segundo as regras do nosso partido. Mas o comportamento de Donald Trump ao longo desta semana, culminando na revelação dos seus comentários degradantes sobre mulheres e das suas bravatas agressões sexuais, torna impossível continuar a oferecer até um apoio condicional à sua candidatura,” salientou McCain, através de um comunicado emitido no sábado. Recorde-se que McCain tinha expressado o apoio a Trump algo relutantemente, na medida em que o magnata chegou a colocar em causa os seus actos heróicos na guerra do Vietname.
Até o candidato republicano à vice-presidência, Mike Pence, convidado por Trump, sentiu-se incomodado com as palavras lascivas do magnata nova-iorquino. De acordo com o jornal The New York Times, Pence terá aliás recusado comparecer numa acção de campanha no Wisconsin, agendada para sábado, emitindo no mesmo dia um comunicado em que disse estar “ofendido com as palavras e acções descritas por Donald Trump” no polémico vídeo. Mais, Pence aponta para o segundo debate televisivo com Hillary Clinton, candidata do Partido Democrata, já no domingo, como “uma oportunidade que ele terá para mostrar o que sente no coração perante a nação.”
Paul Ryan, John Kasich, Ted Cruz, Marc Rubio, entre outros destacados republicanos, também criticaram os comentários de Trump no decurso de uma conversa privada há cerca de 11 anos atrás. E paralelamente aumentou a pressão no interior do Partido Republicano para que Trump desista da corrida presidencial. Por exemplo, Carly Fiorina, candidata derrotada nas eleições primárias do Partido Republicano (tal como Kasich, Cruz e Rubio), diz que pediu a Trump para se afastar e à Comissão Nacional Republicana que o substitua por Pence. “Eu nunca vou desistir da corrida, nunca vou decepcionar os meus apoiantes,” garantiu entretanto Trump, através de uma mensagem publicada na rede social Twitter. O segundo debate com Clinton promete ser tenso.
