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As sete ideias/manias mais bizarras de Trump, um homem invulgar
Em torno do exercício físico, dos germes, das horas de sono, do cabelo masculino ou ainda da segurança da exposição humana ao amianto
Donald Trump não é um político de carreira, de facto, tal como o próprio tem dito repetidamente durante a campanha eleitoral, para sublinhar o contraste perante os “30 anos de cargos públicos” exercidos por Hillary Clinton. Mas ao longo das últimas décadas publicou vários livros de auto-ajuda e dicas para o sucesso empresarial, ao que acrescem as centenas de entrevistas e participações em programas televisivos. Não raras vezes expondo ideias ou comportamentos estranhos. Ou até fobias ao estilo de Howard Hugghes (um dos mais famosos empresários e milionários norte-americanos do século XX), podendo ficar paralisado com a simples visão de uma beata de cigarro, uma mancha no rosto de uma mulher ou os sapatos velhos de um empregado.
Ora, o Politico entrou – salvo seja – no interior da cabeça de Trump e compilou as sete ideias (ou manias) mais bizarras desse magnata do ramo imobiliário, tornado candidato presidencial do Partido Republicano em 2016.
1. O exercício físico é destrutivo. Sim, Trump acredita que o corpo humano é como uma bateria de telemóvel e que toda a energia utilizada é irrecuperável. Por essa razão, não costuma fazer exercício físico e também não aprecia que os seus empregados façam demasiado exercício físico. “Todos os meus amigos que estão sempre a trabalhar os músculos, preparam-se agora para subsituições dos joelhos, das ancas, eles são um desastre,” explicou Trump em Setembro do ano passado, ao ser entrevistado pelo jornal The New York Times.
2. Os germes são ainda piores do que o exercício físico. O magnata detesta apertos de mãos, considerando que se trata de um ritual “bárbaro”. No seu livro de 1997, The Art of the Comeback, pode ler-se que “uma das maldições da sociedade americana é o simples acto de apertar as mãos… E quanto mais sucesso e fama alguém tenha, pior se torna este terrível costume. Acontece que eu sou um maníaco por mãos limpas. Sinto-me muito melhor depois de lavar completamente as minhas mãos, algo que faço tantas vezes quanto possível.”
3. A imperfeição é inaceitável. Neste caso, o Politico baseia-se no testemunho de Jack O’Donnell que trabalhou como director executivo de vários casinos detidos por Trump em Atlantic City, entre 1987 e1990. No livro revelador que publicou em 1991, Trumped! The Inside Story of the Real Donald Trump, O’Donnell descreve como “dependendo do seu humor, uma beata de cigarro na carpete ou os sapatos gastos de um empregado poderiam provocar nele uma reação temerosa, acompanhada invariavelmente por uma série de palavrões.” Mais, O’Donnell diz que Trump era obcecado pela sua imagem e, como tal, “uma gravata solta era como um sinal de uma mente descuidada.”
4. Dormir é um factor de desvantagem. Muitos anos antes de ter surpreendido a cena política dos EUA (e do mundo) com mensagens publicadas na rede social Twitter ao longo da madrugada, enquanto (quase) todos dormem, Trump já confessava que tinha dificuldades em dormir. “Eu não durmo mais do que quatro horas por noite,” contou à revista Playboy em 1990. “Eu sou um tipo que fica acordado à noite a pensar e a conspirar,” insistiu dois anos mais tarde, citado então pela revista New York. Mas para Trump as insónias são uma vantagem competitiva e não uma fraqueza da sua parte. “Não durmam mais do que precisam,” aconselhou no seu livro Think Like a Billionaire de 2004. “Eu tenho amigos que têm sucesso e dormem 10 horas por noite, e eu pergunto-lhes, ‘como é que podem competir com pessoas como eu, que durmo apenas quatro horas?'”
5. O cabelo de um homem é bastante importante. Desde há muitos anos que o cabelo de Trump é objecto de fascínio público. Revistas de grande circulação como a Rolling Stone ou a Men’s Health dedicaram artigos inteiros a esse tema: sim, o cabelo de Trump. Mais recentemente, o apresentador de televisão Jimmy Fallon até pediu para lhe tocar no cabelo, em directo. Algo que não parece embaraçar o magnata. O’Donnell revelou no seu livro que, para Trump, ser careca é um sinal de fraqueza do homem. Em meados de 2011, na CNN, o jornalista Piers Morgan comentou que o cabelo de Trump “é provavelmente o mais famoso da América, não é?” Ao que Trump retorquiu, visivelmente embevecido: “Acho que sim.”
6. O amianto é 100% seguro. Segundo a Organização Mundial de Saúde, todos os anos morrem cerca de 107 mil pessoas com cancros ou outras doenças relacionadas com a exposição ao amianto. No entanto, Trump considera que se trata de um material “100% seguro, uma vez aplicado”, como declarou no início deste ano à revista Mother Jones. As autoridades garantem que não existe um nível seguro de exposição ao amianto, mas Trump discorda. Já em 1997, no seu livro The Art of the Comeback, o magnata alertava que “o movimento contra o amianto foi liderado pela máfia, porque eram muitas vezes empresas ligadas à máfia que depois faziam a remoção do amianto.” De resto, Trump costuma destacar a resistência do amianto ao fogo, ao contrário de outros materiais mais inflamáveis. Em 2012, aliás, publicou a seguinte mensagem na rede social Twitter: “Se não tivessemos removido o amianto, um incrivelmente poderoso retardador de fogo, para o substituir por lixo que não funciona, o World Trade Center nunca teria ardido até à sua derrocada” no fatídico dia 11 de Setembro de 2001.
7. Os bilionários solitários também são pessoas. Estranhamente ou não, Trump costuma comparar-se ao já mencionado Howard Hughes. “Eu dou por mim a pensar cada vez mais e mais em Howard Hugghes,” escreveu no seu livro Surviving at the Top (um manual de sobrevivência ou darwinismo social no mundo empresarial), publicado em 1990. “E mesmo, até certo ponto, a identificar-me com ele.” Será pela aversão aos germes? As paranóias recorrentes? “Ele vivia a vida ao máximo. Mas a pressão de ser uma figura maior do que vida era aparentemente tão perturbadora que o levou gradualmente até um estado de loucura,” descreveu Trump, pleno de compaixão.
