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Administração Trump aposta em técnicas musculadas de interrogatório

A nova equipa de segurança nacional norte-americana pode estar a preparar o regresso da implementação de tortura e métodos de vigilância banidos no passado

Logo após o 11 de Setembro de 2011, a segurança nacional dos Estados Unidos recorreu a técnicas duras de interrogatório para arrancar confissões dos suspeitos de terrorismo, como por exemplo o waterboarding (uma tortura com água que dá a sensação de afogamento). Bush acabou por bani-las e Obama aboliu qualquer tipo de tortura nas prisões americanas.

Com a eleição de Donald Trump para a presidência e, sobretudo depois de serem conhecidos os primeiros nomes da equipa que assegurará a segurança nacional, o regresso dos métodos de tortura ou do recurso a prisão por tempo indeterminado, sem julgamento, volta a estar na ordem do dia.

“Só um estúpido diria que não funciona”, disse Trump num comício no ano passado em defesa do waterboarding. As pessoas que nomeou para os cargos mais elevados de manutenção da segurança interna subscrevem opiniões semelhantes.

Tanto o futuro conselheiro para a segurança nacional, o general Michael Flynn, como Mike Pompeo, novo director da CIA ou o Procurador-Geral (dirige o Departamento de Justiça, o equivalente a um ministro da Justiça), já defenderam em várias ocasiões o recurso a técnicas de
Interrogatório musculadas.

Barack Obama prometeu acabar com o campo de detenção de Guantánamo, que durante anos manteve detidos suspeitos de terrorismo, mas não o fez. O seu sucessor defendeu que deve voltar a ter o uso que tinha na luta contra os terroristas que é uma das apostas da nova administração. Sobre isso Trump disse durante a campanha: “vamos enchê-lo com alguns gajos maus”.

A nova equipa quer também ver reforçado o uso de métodos de vigilância, sobretudo electrónica que abrandaram depois do caso Snowden. Sobre o homem que denunciou os casos de vigilância electrónica nos Estados Unidos , Mike Pompeo tem uma opinião muito categórica e pede, nada menos que a “pena de morte” para ele.

Apesar de o Partido Republicano ter a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, muitos dos actos dos executivos anteriores não vão ser fáceis de reverter, até porque muita legislação teve o apoio, ou foi mesmo de iniciativa, dos republicanos.