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“O Holocausto começou com palavras”, alerta museu americano

O encontro de supremacistas brancos, no passado fim de semana, está a provocar várias reacções e até a equipa de transição de Trump veio reiterar ser contra o racismo

Em reacção ao encontro de um grupo norte-americano (National Policy Institute – NPI) que defende a supremacia branca e inclui neo-nazis e anti-semitas, no passado fim-de semana, o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos alertou para o perigo de “discursos de ódio”. O restaurante onde se realizou o jantar já pediu desculpas por ter recebido o grupo.

“O Holocausto não começou com mortes: começou com palavras”, alerta o comunicado do museu. E deixa um pedido “a todos os cidadãos americanos, aos líderes religiosos e de movimentos cívicos e à liderança de todos os ramos do governo, para enfrentarem pensamentos racistas e discursos de ódio divisórios”.

A equipa que está a preparar a transição de Donald Trump e Mike Pence para a Casa Branca, por sua vez, também emitiu um comunicado, na segunda-feira, 21 de Novembro, em que deixa clara a posição do presidente eleito, que, de acordo com o documento: “continua a denunciar o racismo de qualquer tipo e que foi eleito porque ele será o líder de todos os americanos”.

O restaurante onde os participantes do encontro do NPI se reuniram para jantar, em Washington, acabou por fechar depois de várias pessoas se terem manifestado no exterior. Mais tarde a gerência pediu desculpa no Facebook e revelou que não tinha conhecimento do que se tratava, uma vez que a reserva foi feita à última hora e com outro nome, não o da organização.

Só depois de uma participante no jantar ter partilhado uma foto sua a fazer a saudação nazi, com a legenda Sieg Heil, é que os donos se aperceberam da natureza do grupo que receberam, contam no Facebook. “Esta expressão de apoio a Hitler é extremamente ofensiva para nós, uma vez que o nosso restaurante acolhe convidados de todas as raças, religiões e passados culturais”, garantem.

Além do pedido de desculpas, o restaurante doou a receita de sexta-feira, 18 de Novembro, no valor de 10.000 dólares (cerca de 9.400 euros), a um grupo de defesa dos direitos civis dos judeus, a Liga Anti-Difamação.

Entretanto, a rede social Twitter cancelou, a semana passada, contas ligadas ao movimento alt-right, incluindo a de Richard Spencer, criador do termo que abrevia a expressão direita alternativa, que foi um dos principais oradores da conferência do NPI.