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Quem vai moderar a postura de Trump? A realidade, garante Obama

O ainda presidente dos EUA considera que Trump "não vai seguir algumas das posições que tem tomado". E deixou uma promessa: se os "valores fundamentais" norte-americanos forem colocados em causa, vai criticar o sucessor

Este fim-de-semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu vários republicanos no seu clube de golfe privado, em New Jersey. No Twitter, o futuro residente na Casa Branca foi apresentando as credenciais dos possíveis escolhidos para fazerem parte da sua administração. O general James Mattis, por exemplo, “foi impressionante, um verdadeiro general”, escreveu sobre aquele que é tido como o provavél Secretário da Defesa.

As visitas incluíram ainda Rudolph Giuliani, Mitt Romney e Chirs Christie. Esta postura foi prontamente criticada e o The New York Times escreveu mesmo que Trump escolhe os membros da sua administração como se fosse um “espectáculo televisivo”. A escolha dos elementos que o vão acompanhar tem sido um dos temas mais polémicos destes primeiros tempos de transição. Steven Bannon é um supremacista branco acusado de xenofobia, antisemitismo e misoginia, o general Michael Flynn já disse que o islão é um “cancro” e Jess Sessions não chegou a juiz federal devido a declarações racistas.

Estes nomes têm gerado preocupação no seio da sociedade norte-americana – uma situação visível durante o musical Hamilton. Na sexta-feira à noite, os actores aproveitaram a presença do “vice” Mike Pence no espectáculo para deixarem uma mensagem à nova administração. “Estamos alarmados e angustiados que o novo governo não nos proteja a nós, o nosso planeta, os nossos filhos e os nossos pais. (…) Temos esperança que o nosso espetáculo o tenha inspirado a respeitar os nossos valores e trabalhar em nome de todos nós”, disse Brandon Dixon, um dos actores.

Trump reagiu à declaração no Twiiter e não mostrou “poder de encaixe” – pelo contrário, exigiu um pedido de desculpas ao elenco. “O teatro deveria ser um local seguro e especial. O elenco de Hamilton foi muito rude com um homem muito bom, Mike Pence. Peçam desculpa”, exigiu o futuro líder dos EUA.

A postura foi vista como um atentado à liberdade de expressão por muitos sectores e criticada em força nas redes sociais. As polémicas sucedem-se , o republicano está cada vez mais perto de viver na Casa Branca e a pergunta começa a surgir: Quem pode parar Trump?
Para o presidente em exercício, Barack Obama, será “a realidade que vai obrigar” Trump a “ajustar a maneira como aborda muitos temas”. “O presidente eleito não vai seguir algumas das posições que tem tomado”, afiançou, durante a estadia no Peru, onde defendeu que as posições públicas de Trump são “apenas a forma como o gabinete dele funciona”.

Porém, ao mesmo tempo que procura passar um discurso optimista, o ainda residente na Casa Branca não se inibe de avisar o sucessor de que vai estar atento e a zelar pelos “valores fundamentais” norte-americanos. Mesmo que isso passe por quebrar a tradição de os presidentes não comentarem publicamente o trabalho de quem lhes sucede no cargo.
“Quero ser respeitoso e dar ao presidente eleito uma oportunidade de delinear a sua forma de plataforma e argumentos sem que ninguém se intrometa. Mas se ele puser em causa questões fundamentais sobre os nossos valores e os nossos ideiai, e eu julgar que é necessário ou que vai ajudar eu defender esses ideiais, então vou analisar [essas questões] quando surgirem”, garantiu. Será que Trump lhe vai responder?