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Romney ou Giuliani, a escolha que Trump ainda não conseguiu fazer

O antigo candidato presidencial é um moderado que pode acalmar os republicanos. O ex-mayor de Nova Iorque é um apoiante do presidente eleito desde os primeiros dias. Quem irá liderar a diplomacia norte-americana?

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, tem aproveitado estes dias para ir constituindo o seu gabinete e para apresentar a lista de políticas que pretende cumprir nos primeiros 100 dias na Casa Branca. Num vídeo divulgado no Twitter, esta terça-feira, explicou que o seu plano assenta um “único principio base: meter a América em primeiro lugar”.

Entre as promessas que voltou a fazer estão a saída dos EUA das negociações do Tratado Transpacífico, o fim das restrições à produção de carvão e até uma medida que vai proibir os governantes de se tornarem lóbistas de forma temporária após terminarem os mandatos. De fora ficaram as propostas mais polémicas: a construção de um muro na fronteira entre os EUA e o México, a implementação de uma política feroz de deportações e a anulação do programa nacional de saúde, conhecido como Obamacare.

Trump vai mesmo deixar cair estas medidas ou deixou-as fora da lista para evitar mais problemas? A pergunta continua sem resposta, tal como aquela que começa a ser a maior dúvida da administração Trump: quem vai suceder a Hillary Clinton e John Kerry como secretário de Estado?

Numa altura em que a comunidade internacional teme a capacidade do futuro presidente dos EUA para gerir as relações com outros países, ganha um peso ainda mais relevante saber quem irá gerir a política externa do país. E a luta parece limitar-se a dois nomes: o antigo mayor de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, e o ex-candidato do partido republicano em 2012, Mitt Romney. O primeiro é visto como um moderado, o segundo considerado um dos maiores aliados do magnata que venceu as eleições a 8 e Novembro. Em comum, têm o facto de estarem contra o acordo nuclear com o Irão assinado por Obama.

O moderado
Escolher Mitt Romney permitiria não só acalmar as bases republicanas, que não se revêem em Trump, como descansar os aliados internacionais. Além disso, o antigo candidato republicano criticou Trump várias vezes, durante a campanha eleitoral, tendo inclusivamente dito que o milionário era uma “fraude”. A sua escolha iria ser usada pela nova administração para responder a todos aqueles que dizem que o presidente eleito não saber lidar com os críticos.

Do outro lado da balança, está o facto de, tal como Trump, Romney ser mais um homem de negócios extremamente rico o que levantaria mais dúvidas sobre possíveis conflitos de interesses. Além disso, “chumbou” quando foi enviado pelo GOP ao Reino Unido: criticou os preparativos para os Jogos Olímpicos de 2012 – ano da viagem, esqueceu-se do nome do líder da oposição, anunciou ter conhecido o líder dos serviços secretos e acabou a ser publicamente gozado pelo agora ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson.

O leal
Foi o mais fiel defensor de Trump durante a campanha. Rudolph Giuliani pareceu estar sempre alinhado com o milionário: a luta contra o ISIS, a redefinição das relações com a Rússia – ainda que defenda que devia haver uma ameaça militar a Moscovo e não uma reaproximação -, as críticas à China.

Apesar de ter estado no centro do mundo por ser o mayor de Nova Iorque nos atentados de 11 de Setembro de 2001, a experiência de Giuliani em política externa é praticamente nula e ainda partilha com Romney o problema dos conflitos de interesse. Além disso, os republicanos dificilmente aceitam mais um homem que faça declarações sem controlo num cargo tão importante e Rand Paul, por exemplo, já anunciou que não votará nele.

As outras escolhas
Dificilmente chegarão ao cargo, mas os problemas dos dois principais candidatos mantêm alguns nomes na lista de “concorrentes”. Um deles é John Bolton, que foi embaixador dos EUA nas Nações Unidas durante a presidência de George W. Bush – um trunfo em termos de diplomacia. No entanto, é considerado um dos últimos “falcões” dos EUA e um defensor de um país isolado no panorama político internacional, principalmente quando se fala de um qualquer acordo com o Irão.

Os outros outsiders são Nikki Haley e Bob Corker.  A governadora da Carolina do Sul daria diversidade à administração Trump. Apoiante de Marco Rubio, a sua nomeação seria visto com mais um gesto de magnanimidade do novo presidente. Além disso, foi muito elogiada por ter liderado o movimento que combateu a bandeira confederada – uma ajuda para lutar contra o rótulo de “racista” que Trump recolheu durante a campanha. Não tem quase nenhuma experiência em política fora do seu estado – e menos ainda no campo internacional.

O presidente do Comité das Relações Internacionais do Senado dos EUA é popular entre republicanos e democratas. Conhece a política estrangeira e é um apoiante de Trump desde os primeiros dias. Porém, não foi chamado aos encontros no clube de golfe privado de Nova Jersey, o que pode indicar que está fora da corrida.